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Estamos sempre contentes com o reconhecimento que esta filosofia de mais de 5000 anos de existência possui. Tradição em concentrar-se, sentir-se mais, observar-se e aprender sobre si mesmo - alguns chamam de autoconhecimento, isto é Yõga.

11/07/2010


Fitness & Nutrição
Ioga: as raízes do autoconhecimento

Treino para o corpo e para o espírito, a prática milenar se ramifica em centenas de modalidades. A Revista simplifica a sua vida e mostra como identificar a linha mais adequada às necessidades de cada um

Por Rafael Campos

Há uma imagem clássica que surge na mente sempre que a palavra ioga é pronunciada: de olhos fechados, com um semblante de quem alcançou um novo patamar de percepção, surge um ser humano em posição de lótus, sentado com as pernas entrelaçadas sem aparente dificuldade e mãos levemente posicionadas nos joelhos. Não deixa de ser uma imagem correta, mas faz bem pouco jus a tudo que essa prática milenar pode oferecer.

A impressão equivocada é reforçada pelos milhares de anúncios de nirvanas de boutique que circulam por aí. Para evitar confusões, é útil se familiarizar com o assunto. “Toda prática de ioga busca o autoconhecimento. Antes os professores apontavam para os benefícios físicos apenas. Geralmente isso acontece, mas esse não é o objetivo”, explica o instrutor Ricardo Sousa, que leciona o hatha yoga. Apesar das centenas de estilos catalogados — Ricardo diz que existem cerca de 400 —, todos eles levam à mesma direção: equilíbrio entre corpo e mente.

Como as várias modalidades trabalham com posições idênticas, a escolha depende do que o aluno espera alcançar. “Geralmente as posições são iguais. O que vai mudar é a abordagem que cada professor dá à prática que leciona”, garante Helton Alves de Azevedo, instrutor de hatha yoga. E, é bom lembrar, cada indivíduo reage de forma diferente aos estímulos.

Os neófitos não devem se assustar com as numerosas ramificações, afinal, ioga é prática. Mas convém saber qual filosofia está na base dos exercícios. Como uma árvore, a ioga se expande a partir de quatro raízes — duas consideradas teóricas (o sámkhya e o vêdánta) e as chamadas comportamentais (o tantra e o brahmáchárya). “O aluno deve saber que a escola em que ele se matricula já detém um direcionamento a partir dessas filosofias”, esclarece Ricardo Sousa. É a mistura dessas matrizes que moldará o estilo de cada centro de estudos.

O sámkhya é naturalista, ou seja, interpreta os fenômenos da ioga como parte da natureza, sem méritos de divindades. “Como essa teoria é especulativa, muitos sentem a falta do misticismo, que existe no vêdánta, que é a raiz mais espirtualista”, diz Helton Azevedo. Essa crê no divino como explicação última do universo.

Segundo os instrutores Ricardo e Helton, são essas as duas raízes que fazem a diferença entre aulas mais focadas no esforço físico e aquelas em que a devoção é evidente. Já entre as linhas comportamentais, destaca-se o tantra. Pautado pelo matriarcalismo e pela sensorialidade, ele reserva à mulher um papel privilegiado na cadeia familiar, cultivando a sexualidade plena, sem culpa ou malícia. O brahmáchárya, seu oposto, não admite que o poder seja centrado no feminino nem aceita o prazer, a liberdade e a sexualidade como forma de iluminação.


Filosofias complementares

As chamadas raízes da ioga (que significa “poder”, em sânscrito) correspondem a verbos fundadores. Sámkhya é saber; vêdánta é crer; tantra, sentir e brahmáchárya, dominar. A ioga é puramente técnica, o veículo dessas filosofias. Assim, cada instrutor pode lançar mão de uma “qualidade” diferente de ação para direcionar os ensinamentos.

O cruzamento das raízes dá origem aos troncos: tantra-sámkhya, brahmáchárya-sámkhya, brahmáchárya-vêdánta e tantra-bêdánta. “O autoconhecimento se manifesta por meio da técnica que será empregada. Por isso, a escolha deve ser bem pensada”, adverte o instrutor Ricardo Sousa.

A partir desses troncos florescem as modalidades da ioga, cujos ramos principais são oito. Cada um enfatiza diferentes aprendizados e implica em estilos de vida para o seguidor. “O aluno deve conversar com o instrutor sobre qual objetivo pretende alcançar e, a partir daí, saber qual modalidade é melhor para ele”, explica Felipe Alves, especialista em iogaterapia.








Bem-estar sem restrições
Gustavo Moreno/CB/D.A Press
No oitavo mês de gestação, Tammy se sente em plena forma: “Estou superbem”

A ioga também é democrática e, por deter tantas ramificações, consegue atender aos iniciantes e avançados de forma satisfatória. Felipe Alves garante que é comum agregar em suas aulas praticantes que acabaram de começar com outros que já estão na ioga há muito tempo. “Tenho jovens e idosos na mesma turma e eles conseguem alcançar suas metas.”

Ele é professor de iogaterapia, que agrega conceitos filosóficos de linhas diversas, como hatha yoga e karma yoga, e diz que, apesar das técnicas, a ioga é um processo muito adaptativo, que permite a participação de pessoas com perfis físicos variados. Exemplos disso podem ser vistos às segundas, quartas e sextas-feiras, na 315 Norte, onde Felipe coordena o projeto Yoga na Quadra, que atende pessoas de todas as idades.

Aos 59 anos, Ino Pereira foi convencida pela filha a praticar ioga. “Vim por causa dela e por orientação médica. Já me sinto diferente, mais disposta e não pretendo parar.” A filha, Tammy Ottoni, 29, está no oitavo mês de gravidez e desde o quarto é praticante. “Essa é minha primeira gestação, mas, conversando com amigas que já tiveram filhos, percebo que estou superbem.” Ela diz que não sente dores, dorme bem e acredita que a elasticidade que a aula proporciona será de grande valia no momento em que Luíza vier ao mundo, pois a estudante de arquitetura quer ter um parto normal.




As modalidades principais e suas indicações

Em Brasília, é possível praticar a maioria das modalidades de ioga. O www.yogabrasilia.net é feito por intrutores que alimentam o site com a divulgação do seu trabalho e é um bom caminho para quem está procurando a forma mais indicada de ioga, inclusive com endereços dos centros. Além das modalidades listadas, há aulas direcionadas para grupos específicos, como ioga para crianças, idosos, gestantes e até mesmo a ioga laboral, promovida no ambiente de trabalho.

Ashtanga yoga
O método interliga posturas em um fluxo contínuo de movimento e respiração, que é a espinha do ashtanga yoga. Por meio do respirar, o praticante consegue interiorizar a atenção e aquieta a atividade mental, em direção a mais tranquilidade e pacifismo.

Hatha yoga
Essa modalidade é origem de muitas outras e, apesar de ter o condicionamento físico com um dos principais meios de obtenção do autoconhecimento, não se retringe a ele. A prática melhora o condicionamento, a força e a flexibilidade, além de ajudar na capacidade de concentração.

Kundalini yoga
A chamada ioga da consciência tem práticas que fortalecem, alongam e relaxam a musculatura e todo metabolismo. Ajuda no aumento da capacidade respiratória e estimula uma harmonia entre os sistemas nervoso e glandular, em sintonia com os chakras. Acredita-se que seu propósito terapêutico ajuda a curar o corpo rapidamente, ao estimular o sistema imunológico e abrir os centros que regem a mente e o espírito.

Yoga clássico
A prática se vale de uma vivência baseada em princípios de comportamento que envolvem o social, práticas de controle do corpo, energia pessoal e da mente, visando a liberdade, respeito a vida e o convívio em harmonia com tudo o que está ao redor.

Yoga pré-clássico
Baseado em estudos arcaicos da ioga, tem nos ensinamentos sensoriais tântricos a sua base. Pretende desevolver o autoconhecimento através da consciência corporal, em uma integração entre a harmonia de corpo, mente, coração e alma.

Power yoga
Ramificação do hatha yoga, mistura movimentos fortes com respiração dinâmica, combinando posições da ioga com exercícios físicos.
Os praticantes são aqueles que buscam treinos mais intensos, aumentando a força, a resistência e a flexibilidade.




O domínio da vida

A ioga estipula oito estágios para a jornada humana em direção
à paz e à comunhão com a própria essência. Saiba quais são eles:

1. Yamav
Doutrina dos cinco princípios
morais universais: ahimsa
(não-violência), satya (não mentir),
asteya (não roubar), brahmacharya (equilíbrio, comedimento e autodisciplina)
e aparigraha (desapego). Ao seguir
os mandamentos, consegue-se a
disciplina dos órgãos lomocotores, reprodutores e dos sentidos;

2. Niyama
As cinco etapas da autopurificação: saucha (purificação do corpo e da mente), santosha (contentamento), tapas (determinação), svadhyaya (autoconhecimento) e ishvarana-pranidhana (devoção);

3. Asanas
Posturas que fortalecem, trazem flexibilidade, equilíbrio e estabilidade;
4. Pranayama
Controle rítmico da respiração que fortalece a energia vital, o prana;

5. Pratiahara
Domínio dos sentidos que evita sucumbir aos desejos externos, voltando o foco para a essência;

6. Dharana
Concentração, com a mente direcionada para um único foco, caminho para o sétimo passo;

7. Dhyana
Meditação, que acalma os turbilhões da mente, elimina julgamentos, comparações e conceitos pré-estabelecidos para olhar para dentro, sem interferências externas;

8. Samadhi
União do corpo, mente e alma com o divino, com a iluminação.


Fonte: Ioga além da prática, de Ruth Barros e Mario Américo. Integrare Editora

A Revista do Jornal Correio Braziliense procurou-nos para compor parte da matéria abaixo. Para ler a matéria completa acesse o site do próprio jornal: https://www.correioweb.com.br/cbonline/revistadocorreio/sup_rvd_21.htm?

 

Driblando a genética

 

Prevenção e diagnóstico precoce. Essa é a receita para evitar cinco causas de morte instantânea, além de minimizar possíveis seqüelas

 

· Flávia Duarte » João Rafael Torres

A morte chega sem qualquer anúncio. Choca amigos e parentes que um dia estão com a pessoa querida, aparentemente saudável, e horas ou dias depois recebem a notícia de que ela se foi. As causas são diversas. A maioria das mortes repentinas é provocada por acidente vascular cerebral (AVC), infarto, embolia pulmonar, aneurisma ou morte súbita - males que, muitas vezes, chegam sem qualquer aviso.
A dica dos médicos é mudar os hábitos de vida e prevenir os fatores que aumentam as chances de ter tais problemas. O Correio entrevistou especialistas que apontaram os riscos e as formas de evitar cada uma dessas doenças. Ainda conversou com pessoas que se distanciam do grupo mais vulnerável ao adotar uma rotina saudável. Gente que segue à risca as recomendações para desarmar a silenciosa bomba-relógio que podem carregar dentro de si.

 

A nova vítima potencial

 

 

Até um passado próximo, somente os indivíduos fumantes e obesos eram vítimas potenciais de infarto. Não que esses fatores deixaram de ser avaliados. Mas, agora, no protocolo médico, outros elementos foram inseridos como fatores importantes de prevenção e diagnóstico das doenças cardiovasculares. Sérgio Timernan, cardiologista, pesquisador e diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo (Incor), ressalta que o resultado dos estudos desenvolvidos nos últimos anos foram decisivos para que o estresse, índices de ácido úrico e o diabetes ocupassem com destaque a lista dos fatores de risco modificáveis para as doenças cardiovasculares. Pacientes diabéticos, por exemplo, já são vistos pela comunidade médica como um cardiopata em potencial. “A prevenção passa a ser mais agressiva, como a feita em alguém que já apresentou alguma intercorrência cardíaca”, explica.

O estresse deixou de ser interpretado como apenas um “gatilho” para desencadear o problema. Ele ganha status de elemento causador. Pesquisas do Incor/SP também averiguaram que a preocupação médica não deve se centralizar apenas no acúmulo de gordura. O índice de inflamação das artérias passa a ser interpretado como uma forma de prevenção do infarto entre as pessoas que não têm, aparentemente, um grande risco de desenvolver a doença. Por meio da medição da proteína C ultrassensível (PCR-ultrassensível), o médico é capaz de medir o nível de inflamação vascular. Outro exame importante é a medição do ácido úrico - em altos níveis indica o dobro de chances de um ataque cardíaco.

 

 

 

Mire-se no exemplo

 

 

Iano Andrade/CB/D.A Press NAIARA
Iano Andrade/CB/D.A Press
KARINA

Valério Ayres/CB/D.A Press
Valério Ayres/CB/D.A Press
MÁRCIA

Valério Ayres/CB/D.A Press
PATRÍCIA


 

 

 

Exercite-se como NAIARA

A prática de atividades físicas são a marca da estudante Naiara Barbosa, 24 anos. É, na verdade, uma herança familiar: os pais e irmãos também são adeptos ferrenhos dos exercícios. Os aeróbios, como a corrida e o spinning, são os favoritos — mas ela não descuida da musculação, para manter a firmeza das articulações. A presença de diabéticos na família a faz reforçar a prevenção. “O exercício é algo que faz bem para meu físico e para minha mente. Melhora minha imunidade e me deixa sempre bem disposta”, diz.

Previna-se como KARINA

Profissional de saúde, a dentista Karina Vieira Dornas, 31 anos, sabe bem que não há melhor remédio para qualquer doença que a prevenção. Por isso sempre fez questão de acompanhar sua saúde de perto. Aos 7 meses de gravidez, espera o terceiro filho. Não faltou a um exame sequer durante esse período, hábito que sempre teve ao longo da vida. “Quanto antes você tem consciência de um problema de saúde, mais rápido possível você pode intervir e tratá-lo”, garante. Por isso, a cada seis meses Karina faz um check-up ginecológico e a outros exames. Acompanha atentamente o nível de glicose e colesterol, e mede a pressão, já que é neta de uma hipertensa. Até a pele é fator de cuidado especial, e não só pela estética, mas pelo diagnóstico precoce de qualquer doença. “Tenho a preocupação em sempre estar bem”, garante a dentista.

Coma como MÁRCIA

A preocupação da redatora publicitária Márcia Flausino com a alimentação surgiu cedo, aos 22 anos, depois de acompanhar os problemas de hipertensão do pai. Hoje, aos 47, a escolha por pratos saudáveis já faz parte da rotina. As regras respeitam a variedade de vegetais e, no mínimo, três tipos de frutas por dia. Praticante de atividades físicas, ela costuma recorrer a uma nutricionista quando inicia uma nova modalidade. Márcia ensina: não é preciso sofrer para se alimentar bem, nem dispensar sobremesas, bebidas alcoólicas e o amado pão de queijo. “Gosto muito de comer e aprendi que posso ter de tudo na dieta, desde que respeite proporções saudáveis.”

Relaxe como PATRÍCIA

A consultora de sistemas de informática Patrícia Bezerra, 33 anos, encontrou na prática de ioga o alívio para o estresse do trabalho. Prazos apertados e manutenção minuciosa dos equipamentos elevam o nível de ansiedade. “Cheguei a adoecer por causa da tensão, até que descobri no ioga um caminho de equilíbrio e autoconhecimento”, explica. Casada e mãe de um garoto de 4 anos, ela também vê na atividade uma forma de recarregar a energia. “Sinto um efeito positivo imediato, que se reflete em minha saúde e bem-estar. Simplesmente, não fico cansada”, garante.

Agradecimentos: Companhia Athletica, A! Body Tech, Yôga Sudoeste

Editor: Cristine Gentil // Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Subeditor: Alexandre Botão // Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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